V. 12, 2024

Artigos Originais

Resistência aos antimicrobianos e seu impacto na saúde pública: uma revisão sistemática

Resistance to antimicrobials and their impact on public health: a systematic review

Adélia Ferreira de Souza; Ana Paula Ferreira; Thauana Sampaio Coelho Souza; Viviane Pagliarini de Almeida

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INTRODUÇÃO: Antimicrobianos são fármacos de origem natural ou sintética, podem ser classificados como bactericida, quando causam a morte da bactéria, ou bacteriostático, quando promovem a inibição do crescimento microbiano. A resistência aos antibióticos se refere àqueles microrganismos cujo crescimento e multiplicação não se inibem pelas concentrações habitualmente alcançadas no sangue ou tecidos.
OBJETIVO: Analisar a resistência bacteriana causada pelo uso indiscriminado dos antimicrobianos.
MÉTODOS: Foram analisados os mais relevantes estudos, tendo como referência a base de dados MedLine (National Library of Medicine) e SciELO. Objetivando selecionar os estudos de maior evidência científica, foram selecionados apenas os ensaios clínicos e estudos observacionais.
RESULTADOS: Inicialmente foram identificados 121 estudos que investigaram a associação da resistência bacteriana devido ao uso indiscriminado de antimicrobianos. Contudo, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas cinco fizeram parte do escopo desta revisão.
CONCLUSÃO: A resistência bacteriana aos antimicrobianos representa uma ameaça grave à saúde pública global, devido ao seu uso abusivo e muitas das vezes desnecessário. Para que ocorra a mudança desses hábitos é importante promover uma educação sanitária para profissionais da saúde e para a população, assim evitando a automedicação e promovendo o uso correto dos mesmos.


Palavras-chave: Resistência a Medicamentos; Resistência a Medicamentos Antineoplásicos; Resistência a Antineoplásicos; Resistência Microbiana a Medicamentos; Interações Microbianas.

Uso da glicerina em substituição ao formaldeído na conservação cadavérica

The use of glycerin as a replacement for formaldehyde in cadaveric conservation

Mariana Araujo Mendes Silva; Luna Diniz Pereira; Julia Marília de Souza Lara; Juliana Fernandes de Almeida; Geovane Caon de Oliveira; Aletéia Massula de Melo Fernandes; Rinaldo Henrique Aguilar da Silva

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INTRODUÇÃO: Por muito tempo, o formaldeído foi utilizado como o principal composto para conservação de peças cadavéricas. No entanto, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) o classificou como parte do grupo 1 de carcinógenos humanos. Diante disso, diversas pesquisas foram realizadas com o intuito substituir o formaldeído por outros compostos, tais como a glicerina.
OBJETIVO: Eliminar o contato e a inalação do formaldeído pelos alunos, técnicos e professores, reduzir gastos e otimizar o tempo de preparo do material.
MÉTODOS: O desenho do estudo é de tipologia exploratória e experimental. Para isso, foram utilizados dois membros superiores e dois membros inferiores humanos dissecados com musculatura, tendões, vascularização e nervos aparentes. Propôs-se um método de conservação de peças anatômicas frescas com a utilização de glicerina purificada (99 - 99,5%) associada ao corte das etapas de desidratação das peças com álcool 70% e de branqueamento das mesmas com peróxido de hidrogênio, ou seja, as peças não passaram por desidratação e nem por clareamento durante o processo de conservação.
RESULTADOS: A técnica de glicerinação utilizada na FCM/SJC - Humanitas proporcionou uma conservação adequada das peças, assim como uma otimização do tempo de preparo das mesmas, além de promover uma boa relação de Ensino-aprendizagem, pois os alunos, técnicos e professores puderam usufruir de um ambiente menos insalubre.
CONCLUSÃO: A técnica de glicerinação utilizada na FCM/SJC - Humanitas obteve sucesso.


Palavras-chave: Glicerol; Anatomia; Laboratórios.

Perfil epidemiológico da meningite no Estado da Bahia, no período de 2011-2021

Epidemiological profile of meningitis in The State of Bahia, in the period of 2011-2021

Carolina Pithon Nascimento de Faria Rocha; Manuella Pinto de Almeida; Jana Alencar Sousa Gonçalves; Liliane Carrilho Rosa Mineiro; Laura Gabriella Perdigão Silva; Stella Renathe Tolentino Silva Souza; Jamile Mendonça Gusmão Cunha; Rafaela Rehem Rosa Moura; Luanna Guimarães de Almeida Gonzale; Nedy Maria Branco Cerqueira Neves

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INTRODUÇÃO: A meningite é uma doença inflamatória grave que acomete as meninges, com complicações sistêmicas, desencadeada por diversos fatores infecciosos e não infecciosos. No Brasil, é considerada uma patologia endêmica, de alta magnitude de ocorrência com produção de surtos e epidemias ocasionais. E, a Bahia, ocupa o sétimo lugar no país em número de casos registrados da doença.
OBJETIVOS: Analisar o perfil de evolução da meningite, no estado da Bahia, entre os anos de 2011 e 2021, caracterizando a doença e sua prevalência epidemiológica antes e depois da pandemia ocasionada pelo COVID-19.
MÉTODOS: O artigo trata de um estudo quantitativo, com caráter epidemiológico demográfico de análise retrospectiva, longitudinal e observacional cuja base de dados utilizada foi o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS).
RESULTADOS: No período analisado, foi evidenciada uma diminuição de casos anuais. Contudo, não foi descartada a possibilidade de uma subnotificação que pode se remeter a uma cobertura insuficiente somada à possível falta de valorização necessária do papel da Vigilância Epidemiológica, refletindo em dados que não traduzem a real situação.
CONCLUSÃO: Diante do exposto, conclui-se que houve uma evolução na Bahia com melhora dos protocolos e a consolidação da meningite como uma doença de notificação compulsória, porém, a letalidade e a incidência da doença no estado permanecem altas, sendo necessárias uma maior atenção estatal, com enfoque na imunização que ocorre de forma gratuita, e a conscientização populacional.


Palavras-chave: Meningite; Epidemiologia; Evolução Clínica; Notificação; Vacinas.

Associação de nódulos tireoidianos únicos e múltiplos com maior incidência de neoplasias malignas

Association of single and multiple thyroid nodules with a higher incidence of malignant neoplasms

Camila Bollmann Bertoli; Maria Gabriela Schneider; Rodrigo Ribeiro e Silva; Manuella Zattar Medeiros; Leonora Zozula Blind Pope

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INTRODUÇÃO: O aumento da incidência de nódulos tireoidianos se deve ao número crescente de pacientes submetidos a exames de imagem e a detecção precoce é clinicamente relevante, a fim da necessidade de exclusão do câncer de tireoide.
OBJETIVO: Comparar a prevalência de nódulos únicos e múltiplos da tireoide e associá-los à presença de cânceres tireoidianos.
MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional e retrospectivo, realizado em um centro de referência de patologia, em um hospital privado de Joinville, Santa Catarina, Brasil. Os dados coletados foram relativos ao período de janeiro de 2011 até dezembro de 2021. Dividiram-se os pacientes em dois grupos: portadores de nódulos tireoidianos únicos e múltiplos. As variáveis analisadas foram idade, sexo dos pacientes, tamanho, localização e quantidade de nódulos, achados ultrassonográficos, citologia obtida pela PAAF e a histologia das lesões, considerada como padrão ouro. Os critérios de inclusão foram: pacientes que realizaram ultrassonografia, PAAF e procedimento cirúrgico com análise no laboratório de anatomia patológica.
RESULTADOS: Em relação às características dos nódulos tireoidianos, os múltiplos apresentaram maior irregularidade e acometeram indivíduos de maior idade. Não houve impacto significativo sobre as demais características analisadas. No cálculo de razão de chance ajustado, compararam-se nódulos únicos e múltiplos, demonstrando maior quantidade de casos de nódulos únicos com classificação BETHESDA (4). Diferenças significativas na classificação TI-RADS não foram encontradas entre os grupos.
CONCLUSÃO: O presente estudo não observou diferenças significativas entre a associação de nódulos tireoidianos únicos e múltiplos com maior incidência de neoplasias malignas da tireoide, como câncer papilífero.


Palavras-chave: Tireoidectomia; Biópsia por Agulha Fina; Nódulo da Glândula Tireoide; Neoplasias da Glândula Tireoide.

Efeito do acompanhamento multiprofissional no controle de peso e comorbidades em mulheres com excesso ponderal: uma coorte retrospectiva

Effect of multidisciplinary follow-up on weight control and comorbidities in overweight women: a retrospective cohort

Minna Ferrari Schleu Carvalho; Maria de Lourdes Lima; Beatriz Correia Matos Reis; Hortensia Souza Guedes de OliveiraMinna Ferrari Schleu Carvalho, Maria de Lourdes Lima, Beatriz Correia Matos Reis, Hortensia Souza Guedes de Oliveira

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INTRODUÇÃO: O manejo da obesidade é um desafio para a prática médica. Acompanhamento multiprofissional por tempo prolongado é uma estratégia utilizada para promover emagrecimento, associado a uso de medicações antiobesidade.
OBJETIVO: avaliar o impacto do acompanhamento multidisciplinar por pelo menos um ano no controle do peso e comorbidades em mulheres com excesso ponderal.
MÉTODOS: coorte retrospectiva com mulheres portadoras de excesso ponderal avaliadas nas primeira e última consultas em centro de referência para tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde, com tempo de seguimento mínimo de um ano, sendo comparados peso, circunferência abdominal, IMC, níveis pressóricos, lipídicos, glicêmicos e prevalência de comorbidades. A equipe multiprofissional era formada por endocrinologia, psicologia, nutrição, enfermagem e educação física, com encontros trimestrais.
RESULTADOS: a amostra foi composta por 201 mulheres, com idade de 47±12 anos, IMC de 35,8±6kg/m2, renda 1,5[1,0-2,0] salário-mínimo e tempo de seguimento de 6±3anos. A variação de peso foi de 0,1±7,4kg, oscilando entre -25,3kg a +30,8kg. A amostra apresentou melhora dos níveis de LDL (128±40 x 115±35mg/dL, p<0,001), HDL (45±11 x 50±11 mg/dL, p<0,001), PA sistólica (144±26 x 135±21mmHg, p<0,001), PA diastólica (88±12 x 81±13 mmHg, p<0,001), do controle glicêmico e maior adesão à prática de atividade física (26,4%x33,8%, p<0,001). O uso de drogas antiobesidade foi pouco frequente na amostra (1,5%).
CONCLUSÃO: o acompanhamento multiprofissional por pelo menos um ano teve impacto positivo do ponto de vista metabólico, sem impacto no peso, podendo ser explicado pelo limitado acesso da população às drogas antiobesidade.


Palavras-chave: Obesidade; Programas de redução de peso; Perda de peso.

Perfil sociodemográfico dos pacientes com afecções proctológicas orificiais, cirúrgicas, realizadas em um hospital de ensino em Minas Gerais

Sociodemographic profile of patients with orifical and surgical proctological disorders performed at a Teaching Hospital in Minas Gerais

Alfredo Abrahão Bechara; Lilian Maria Visentin Bechara; Ana Paula Ferreira; Enrico Bechara Batista Teixeira; Camila Fonseca Silva Junqueira; Matheus Esquerdo Gomes; Alessandro Rozin Zorzi

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INTRODUÇÃO: As cirurgias orificiais, na coloproctologia, são aquelas realizadas por via ano-retal, nas afecções que acometem o reto e canal anal.
OBJETIVO: Verificar, através de um estudo retrospectivo, a prevalência de doenças orificiais que foram realizadas cirurgias, em função do sexo e idade.
MÉTODOS: Foram avaliados 110 prontuários de um Hospital de Ensino na cidade de Juiz de Fora – MG, no período de 2011 a 2018. Foram incluídos prontuários de pacientes que apresentaram diagnóstico de doenças orificiais benignas de ambos os sexos. Foram excluídos os prontuários de pacientes que foram submetidos a quaisquer cirurgias de acesso diferente do acesso orificial (via anal) e doenças malignas. Os dados foram apresentados em frequências absolutas e relativas e o procedimento para o tratamento dos dados foi realizado por meio do programa SPSS for Windows versão 21.0.
RESULTADOS: A idade dos participantes variou de 14 e 82 anos, sendo 65 (59,1%) da casuística do sexo masculino. Os procedimentos cirúrgicos de maior frequência foram as hemorroidectomias, correspondendo a 52 (47,2%), seguidos da fistulectomia com 40 (36,3%). No sexo feminino, a hemorroidectomia foi mais frequente com 26 (57,8%), seguida da fistulectomia com 13 (28,9%). Contudo, no sexo masculino prevaleceu majoritariamente a fistulectomia com 41,5% (N = 27) seguida pela hemorroidectomia com 40% (N = 26).
CONCLUSÃO: Foi possível concluir que, de modo geral, dentro das cirurgias de hemorroidectomia, elas foram igualmente frequentes em ambos os sexos, sendo 26 cirurgias em cada. Contudo, o sexo feminino sobrepôs-se nas faixas etárias entre os 14 aos 20 anos e dos 41 aos 60 anos. Enquanto, nas faixas etárias dos 21 aos 40 anos e dos 71 aos 80 anos, acometeu mais o sexo masculino.


Palavras-chave: Coloproctologia; Cirurgias Orificiais; Hospital de Ensino - Juiz de Fora, MG.

O impacto da pandemia de COVID-19 nas internações por pneumonia, durante o período pré-pandemia (2019) e pandemia (2020), no Brasil

The Impact of the COVID-19 Pandemic on Pneumonia Hospitalizations during the Pre-Pandemic Period (2019) and Pandemic (2020) in Brazil

André Luiz Almeida de Melo Filho; Bruno Antônio Machado de Melo; Ramon João Trentim; Thaís Corrêa do Nascimento; Inglid Patrícia Barbosa; Ellen Carolainy Macedo; Luiz Felipe Almeida de Melo; Alessandra Andrade Falqueto

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OBJETIVO: Comparar as internações por pneumonia nos anos de 2019 (período pré-pandêmico) e 2020 (período de pandemia) no Brasil.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo observacional ecológico retrospectivo que avalia as hospitalizações por pneumonia no Brasil e em suas regiões no ano pré-pandêmico e durante a pandemia. Para análise estatística, foi realizada uma análise descritiva, cálculo de internações por 100 mil habitantes e aplicação dos testes t de Student para o Brasil e regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, enquanto o teste U de Mann-Whitney foi utilizado nas regiões Norte e Nordeste.
Resultados: O estudo demonstrou uma redução nas internações por pneumonia em todo o Brasil, com uma queda de 41,9% (p<.001). As reduções por região foram: Norte 41,67% (p<.001), Nordeste 49,31% (p<.001), Sudeste 31,37% (p<.001), Sul 47,86% (p<.001) e Centro-Oeste 44,56% (p<.001).
CONCLUSÃO: A pandemia de COVID-19 resultou em uma redução significativa das internações por pneumonia não relacionada à COVID-19 em 2020 comparado a 2019, variando entre 31,37% e 49,31% nas diferentes regiões do Brasil. Esta redução pode ser atribuída a fatores como reorganização dos serviços de saúde, medo de contágio e medidas de mitigação da pandemia, mas também aponta para possíveis atrasos nos diagnósticos e tratamentos de doenças respiratórias.


Palavras-chave: Pneumonia; Pandemias; Hospitalização.

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